Casa de prefeito de Mongaguá, preso pela PF com R$ 5,3 mi, amanhece pichada

Ação acontece seis dias após a prisão de Artur Parada Prócida (PSDB), durante a operação Prato Feito.

A casa do prefeito Artur Parada Prócida (PSDB), de Mongaguá, no litoral de São Paulo, amanheceu pichada nesta terça-feira (15). O ato de vandalismo acontece seis dias após o político ser preso em flagrante pela Polícia Federal, que encontrou mais de R$ 4,6 milhões e U$ 217 mil guardados em sua casa.

Localizada no bairro Jardim Caiahu, a casa de Prócida foi pichada com os dizeres “Imorais” e “Prefeito corrupto ladrão”. Até o início desta tarde, as frases permaneciam no local. Segundo informações da Polícia Civil, nenhum familiar registrou boletim de ocorrência sobre o ocorrido. A residência foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão da operação Prato Feito.

Desde a prisão do prefeito e o afastamento de seu vice, Márcio Melo Gomes (PSDB), também por suspeita de corrupção no mesmo caso, a cidade estava sem comando. O presidente da Câmara de Vereadores, Rodrigo Cardoso Biagioni (PSDB), assumiu como prefeito interino na manhã de segunda-feira (14).

Policiais contabilizaram dinheiro encontrado com prefeito de Mongaguá, SP (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Policiais contabilizaram dinheiro encontrado com prefeito de Mongaguá, SP (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Policiais contabilizaram dinheiro encontrado com prefeito de Mongaguá, SP (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Prisão de Prócida

Na quarta-feira (9), a Polícia Federal prendeu em flagrante Parada Prócida com R$ 4,6 milhões e U$ 217 mil em espécie, durante execução de mandado de busca e apreensão na residência dele, pela operação Prato Feito. Eleito cinco vezes para o cargo, o político é investigado por suspeita de desviar verbas da União destinadas à Educação.

O advogado de Prócida, Eugênio Malavasi, solicitou à Justiça Federal, na quinta-feira (10), a liberdade provisória do cliente, com aplicação de medidas cautelares e fiança durante audiência de custódia. O prefeito, que não conseguiu provar a procedência legal do dinheiro apreendido, admitiu que parte do valor é decorrente de sobra de campanha, o que configura Caixa 2.

A intenção de Malavasi era de que Prócida pudesse responder ao crime em liberdade. Com a decisão do desembargador Maurício Kato, o prefeito, que tem foro privilegiado, teve o flagrante convertido em prisão preventiva e voltou à carceragem da PF, na capital paulista. O advogado, então, entrou com pedido de habeas corpus do cliente na segunda-feira (14), e está aguardando a decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Prefeito de Mongaguá foi levado para a sede da PF em SP (Foto: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo)Prefeito de Mongaguá foi levado para a sede da PF em SP (Foto: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Prefeito de Mongaguá foi levado para a sede da PF em SP (Foto: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Prato Feito

As investigações apuraram que cinco grupos criminosos agiriam em 30 municípios, contatando prefeituras por meio de lobistas, para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais para a educação destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

Na quarta-feira, foram cumpridos 19 mandados em seis cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. A operação é resultado de uma investigação da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), que apuram irregularidades em 65 contratos de até R$ 1,6 bilhão.

Segundo as autoridades, há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, um vereador, 27 agentes públicos não eleitos e outras 40 funcionários de empresas. A CGU identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bilhão.

A Polícia Federal informou que os investigados podem responder pelos crimes de fraude a licitações, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com penas que variam de um a 12 anos de prisão. Os agentes públicos envolvidos nas investigações foram afastados dos cargos pela Justiça.

O Diretório Estadual do PSDB declarou, na quinta-feira, que Parada Prócida e Melo Gomes foram sumariamente afastados das atividades partidárias, e tiveram as filiações suspensas. “O caso de ambos está sendo encaminhado ao Conselho de Ética estadual para as providências necessárias”, informou.

 Entenda a Operação Prato Feito, que apura desvios em prefeituras (Foto: Infográfico: Juliane Monteiro/G1)

Entenda a Operação Prato Feito, que apura desvios em prefeituras (Foto: Infográfico: Juliane Monteiro/G1)

Fonte: G1

Sobre André Luiz Badaró

Diretor Executivo e Jornalista Responsável