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Cremesp quer urgência em sindicância contra vereador que se passava por médico em clínica ilegal

‘Fato gravíssimo’, diz conselheiro, que deve enviar resultado de apuração à Polícia Federal. Waldyr Vilella (PSD) é suspeito de fazer cirurgias e distribuir remédios em ambulatório ilegal em Ribeirão Preto.

O vereador Waldyr Villela (PSD) é alvo de investigação em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)

O vereador com formação de dentista suspeito de manter uma clínica médica clandestina dentro de um centro espírito na zona norte de Ribeirão Preto (SP) desrespeitou os limites entre medicina odontologia, afirma o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

O órgão confirma que Waldyr Vilella (PSD) será alvo de uma sindicância conduzida com urgência em função da gravidade dos fatos, segundo o conselheiro Eduardo Luiz Bin. Um aposentado confirmou à reportagem da EPTV ter sido operado pelo parlamentar para a retirada de um nódulo nas costas há dois anos.

“É um fato gravíssimo e que a Polícia Federal irá investigar no seu âmbito por conta que é uma atitude de pessoas que não estão capacitadas para fazer uma cirurgia estarem fazendo”, diz.

Villela é investigado pelo Ministério Público suspeito de distribuir medicamentos e fazer cirurgias em uma clínica clandestina dentro de um centro espírita e é investigado por quebra de decoro pelo Conselho de Ética da Câmara.

As atividades aguardam o retorno do vereador ao Legislativo, que se afastou alegando problemas da saúde. O Conselho Regional de Odontologia (Crosp) também investiga o caso.

A reportagem procurou Waldyr Villela na Câmara e em casa, mas não conseguiu um posicionamento. A assessoria do vereador no Legislativo, que também não se posicionou, informou que o parlamentar ainda não tem advogado constituído.

Atuação ilegal

O conselheiro da entidade de médicos em Ribeirão Preto afirma que, por ser dentista, Villela estaria apto a receitar determinados medicamentos dentro da área odontológica. Por outro lado, ele não poderia ter distribuído medicamentos nem conduzir procedimentos cirúrgicos como os relatados.

“Ele tem todo o direito de prescrever as medicações para esses pacientes. Agora em relação à atuação desse dentista que fez uma intervenção nas costas de um paciente e tirando um nódulo, um cisto, que seja, é ilegal, o que ele fez está incorreto, porque só o médico tem a capacidade de fazer esse tipo de intervenção”, afirma.

Ele explica que a sindicância deve correr rapidamente, assim que for distribuída de São Paulo para a regional de Ribeirão Preto.

“Ribeirão faz a instrução que vai ser rápida, provavelmente o delegado vai pedir só uma fiscalização no local onde os fatos ocorreram para ver como que está esse local, se é indicativo de fazer algum ato médico e provalmente vai ser concluída com o encaminhamento para a Polícia Federal no sentido do exercício ilegal da medicina”, afirma Bin.

Clínica clandestina

O ambulatório usado por Villela funcionava no bairro Tanquinho, zona norte de Ribeirão. Sem licença e alvarás de conselhos, o local tinha uma farmácia com milhares de amostras grátis, inclusive remédios cuja compra só é possível com retenção de receita, como antibióticos e antidepressivos, segundo o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Em nota, o Gaeco informou ter recebido denúncia de que Villela, que é dentista por formação, atuava como médico e utilizava receituário de outros profissionais de medicina. Desde junho, o parlamentar estava sendo monitorado pela polícia.

A investigação apontou que o vereador ainda usava o carro da Câmara para se locomover de casa até o centro espírita. Um assessor dele, contratado pelo Legislativo, também é suspeito de atuar no ambulatório, no atendimento dos pacientes.

Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos no dia 3, um no gabinete de Villela na Câmara, outro na casa do parlamentar e o terceiro no centro espírita.

Na casa de Villela, foram apreendidos talonário de receituário parcialmente utilizado e uma receita preenchida. Segundo o Gaeco, havia uma estrutura típica de clínica: duas salas de espera, sala de pré-atendimento, salas de atendimento e estoque de medicamentos.

A Polícia Civil informou que na porta da clínica havia um cartaz informando sobre reformas devido à falta de alvará, “dando conhecimento público que o local se trata de fato de um ambulatório e funcionava em desconformidade com a legislação municipal”, diz nota enviada à imprensa.

Ainda segundo a polícia, o vereador é investigado pelos crimes de exercício irregular da profissão, uso de documento falso, peculato, corrupção passiva e ativa.

O Conselho de Ética da Câmara Municipal instaurou um procedimento para apurar se houve quebra de decoro de Villela. O primeiro passo da comissão será recomendar ao vereador que se afaste das funções na Mesa Diretora – ele é o primeiro vice-presidente.

Entretanto, o parlamentar pediu afastamento do cargo pelo período de 10 dias, alegando licença médica, e deve retornar ao trabalho nesta terça-feira (8).

Fonte: G1

Sobre André Luiz Badaró

Diretor Executivo e Jornalista Responsável