Delegado da PF nega envolvimento político e fala em convite legítimo para cargo de diretor em Santos, SP

José Roberto Sagrado da Hora pediu aposentadoria após ter nome envolvido em polêmica na troca de comando da Delegacia de Santos, no litoral de São Paulo.

O delegado da Polícia Federal José Roberto Sagrado da Hora, que havia sido indicado para comandar a Delegacia de Santos, no litoral de São Paulo, ainda quando o órgão era chefiado por Fernando Segovia, negou qualquer favorecimento político ou orientação para barrar investigações no porto santista para ocupar a função. Após a polêmica, ele pediu aposentadoria.

Da Hora foi convidado por Segovia para substituir o delegado Julio Cesar Baida Filho, que estava na função desde 2015. A decisão foi considerada repentina e surpreendeu até mesmo a gestão da PF em São Paulo. A troca de comando na delegacia tornou-se alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF).

A unidade santista é considerada uma das mais importantes e estratégicas do órgão. Além de abranger 24 municípios de São Paulo, de Bertioga a Barra do Turvo, na divisa com o Paraná, atendendo uma população de 2,5 milhões, também é responsável pelo Porto de Santos, alvo constante de investigações.

Segovia foi retirado da direção-geral e os planos de colocar Da Hora no comando em Santos não avançaram. O delegado Gilberto Antônio de Castro Júnior foi, então, indicado para a função, enquanto que Baida seguiu para o Rio de Janeiro e, depois, assumiu a coordenação-geral de Polícia de Repressão a Drogas e Facções Criminosas em Brasília, já na gestão do diretor-geral Rogério Galloro.

Delegado José Roberto Sagrado da Hora decidiu se aposentar após polêmica (Foto: Arquivo Pessoal)

José Roberto Sagrado Da Hora, que até então não queria se manifestar sobre o caso, declarou ao G1, nesta terça-feira (8), que recebeu o convite para assumir a função, na ocasião, a partir de um telefone do próprio Segovia. Na conversa, segundo ele, não foi tratado nenhum assunto operacional ou de qualquer outro policial.

“Nessa oportunidade [18 de dezembro de 2017, às 16h], sua Excelência revelou-me que promoveria uma aproximação direta da administração central com os servidores da Polícia Federal, enfatizando que a missão em Santos seria fundamentalmente de gestão de pessoas e solução de eventuais conflitos internos”, explica.

Segundo o delegado, o então diretor-geral havia escolhido o nome dele por ser o mais antigo no cargo e, portanto, o mais experiente lotado em Santos, além de “relevante formação acadêmica, o exercício de diversos cargos de chefia na Polícia Federal, lotação em três regiões do país e uma lotação internacional”, justifica.

Delegado da PF Julio Cesar Baida Filho foi retirado das funções em Santos, SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Da Hora esclarece, ainda, ter sido representante sindical da categoria no litoral paulista, mas descarta qualquer envolvimento político-partidário que possa ter influenciado na escolha. O delegado também diz não ter participado de investigações no Porto de Santos, e que o nome dele não teve resistência interna de colegas.

Com 22 anos de carreira, o delegado afirma que já estava nos planos se aposentar em 2018, mas que teria adiado para atender o chamamento do então diretor-geral. Com a reviravolta, que o colocou como pivô da troca de comando, ele se afastou das atividades e retomou os planos iniciais, aposentando-se este mês.

Os delegados Gilberto Antônio de Castro Júnior e Julio Cesar Baida Filho não quiseram comentar o assunto. O G1 não conseguiu contato com Sevogia, cuja indicação para torna-se adido da Polícia Federal na Itália, após sair da direção-geral, é alvo de uma apuração da Procuradoria da República no Distrito Federal desde sexta-feira (4).

Gilberto Antônio de Castro Júnior é o novo delegado-chefe da PF em Santos, SP (Foto: José Claudio Pimentel/G1)

Fonte: G1

Sobre André Luiz Badaró

Diretor Executivo e Jornalista Responsável