O futuro do Brasil depende de nosso voto

Por Walter Ciglioni

Quando um cidadão ainda se vê capaz de se revoltar com os abusos da classe política, a democracia, pra ele, ainda tem algum sentido. A revolta mantém acesa a chama da mudança. Mas, para onde um povo pode seguir, se não apenas o que vê no retrovisor o envergonha, como também, o que se apresenta como possível futuro, é motivo de piada?

Infelizmente, é nessa encruzilhada que a propaganda política nas últimas eleições tem colocado o eleitor brasileiro, dando espaço a candidatos que poderiam estar em qualquer concurso de miss ou de humorista, mas que por ora se mostram alheios ao compromisso público que a vida política exige. O eleitor que se cuide, porque, dependendo da decisão tomada, não poderá confiar nos escolhidos para cuidar de todos nós.

A apresentação na qualidade de candidato ao Governo do Estado de São Paulo, me  proporcionou novas experiências. A disputa de 2014 me fez perceber, por exemplo, o receio de uma pessoa comum,  sem vícios ou traquejos políticos, em relação aos políticos ditos profissionais. Sem a chamada “boca torta de fumar cachimbo”, como dizem, criei uma grande expectativa de trabalhar em prol do cidadão através de uma representação ética e cidadã.

Por outro lado, o aprendizado obtido nos projetos profissionais realizados em instituições como a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros e Cruz Vermelha, me proporcionou experiências e conhecimentos suficientes para propagar e difundir a importância do exercício da cidadania junto aos eleitores.

 Nosso plano de governo em 2014 foi apresentado com propostas concretas, factíveis, exequíveis, sob o ponto de vista orçamentário. Buscamos apresentar informações claras e objetivas para que o eleitor pudesse diferenciar os projetos políticos sérios das propostas mirabolantes e extravagantes, que soam aos ouvidos dos incautos como o canto da Pasárgada, o canto das sereias, por não apresentarem base legal e, principalmente, constitucional.

Na verdade percebo que esses candidatos ao se apresentarem para ocupar o mais alto cargo do Poder Executivo, colocando em debate propostas inexequíveis, demonstram como poderão tratar o cidadão e os Poderes constituídos, ou seja, cerceando direitos e faltando com o mínimo de respeito ao eleitor.

A diferença, portanto, está na consciência do próprio eleitor, que  como cidadão, possui deveres, mas também direitos, que muitas vezes são afetados por essas propostas mirabolantes.

Mas afinal, o que é ser cidadão? Cidadão é possuir um contrato social calcado em deveres e direitos, em especial à vida,  liberdade, igualdade e também à propriedade. A cidadania possibilita também ter direitos civis e assim participar do destino da sociedade e influenciar no futuro do país, como votar e ser votado.

É bom notar que após as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus em várias cidades do país, os protestos contra e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e dos eventos da Lava Jato e da prisão do ex-presidente Lula, nós eleitores, estamos mais conectados à informação e na busca constante de uma sociedade justa para todos.

 A falta da prática do Voto Consciente abriu espaço para que criminosos se aproveitassem da estrutura do Poder Publico Brasileiro. Infiltrados nos poderes Executivo e Legislativo, instituíram a corrupção descarada no nosso Brasil, afetando diretamente o bem-estar dos cidadãos brasileiros ao provocar a diminuição dos investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros direitos essenciais à vida. Além disso, a corrupção feriu de forma criminosa a Constituição ao ampliar a exclusão social e a desigualdade econômica.

Porém, nos últimos anos, surgiu uma poderosa arma de comunicação, que  bem usada, pode unir o país, de norte a sul, de leste a oeste, em tempo real em prol de direitos e benefícios à população. Por meio da Internet e das redes sociais, usuários do Facebook, Instagran, Twitter e Youtube, instrumentos de comunicação que são capazes de promover mobilizações políticas e incentivar a militância de rua.

Mas vivemos num país continental e mesmo com todos os avanços tecnológicos, muita gente ainda se deixa levar por promessas vazias e propagandas maquiadas, sobretudo na TV e no rádio. E o reflexo de tudo isso são os votos trocados por camisetas, bolas de futebol, próteses odontológicas e até mesmo cestas básicas.

Mesmo pessoas que acreditam ser bem informadas, por irresponsabilidade, preguiça ou sob o argumento fácil do voto de protesto, cedem à perversa lógica do “quanto pior melhor” e colocam nos postos de comandos personagens politicamente obscuros.

Assim, a tentação do voto feliz é cuidadosamente plantada. Marqueteiros de bocas salivantes se esmeram em fazer jingles e criar personagens que abram o sorriso, e por que não, a gargalhada, do eleitor.

Mudar o resultado desse esforço muito bem pago depende de nós e para isso é preciso separar o joio do trigo, ou seja, escolher efetivamente o melhor candidato e não aquele que saiu melhor na foto, que criou a música mais popular ou que o fizeram rir.

As  Assembleias e Governos Estaduais, o Congresso e o Palácio do Planalto têm que ser ocupados por pessoas bem preparadas, que saibam servir à sociedade e tenham consciência de que seus mandatos o tornam  empregados do povo.

Mas não basta apenas escolher o melhor, o mais preparado, pois o processo exige muito mais do que apertar a tecla verde da urna eletrônica. A escolha de um líder leva a um segundo e obrigatório passo, que é a cobrança dos acordos assumidos e das promessas feitas em troco de seu voto. Por isso o voto não pode ser munição pra roleta russa. Em nossa missão eleitoral, o disparo impensado pode premiar a incompetência e fazer explodir a tragédia coletiva.

Nas campanhas de entidades do Judiciário brasileiro das quais participei nos últimos 30 anos, aprendi que a grandeza de um líder tem como base o compromisso. Os que o honraram são, hoje, respeitados, inspiram orgulho e admiração. Foram cobrados pelo que prometeram e corresponderam ao desafio.

No Executivo e no Legislativo, não temos essa tradição de cobrança que há em entidades associativas e sindicais. Vale outra lógica perversa: a do coração que, para não sofrer, se recusa a ver, não se envolve e não exige. E assim vai escrevendo seu ensaio sobre a cegueira.

Não foi essa a escrita que meus pais me legaram, tampouco a que desejo para o Brasil dos eleitores de hoje e amanhã. Não posso ensinar aos meus filhos, Miguel e Beatriz Ciglioni, menos do que me foi ensinado. Devo deixar para eles um Brasil melhor.

Enquanto o eleitor não enxergar a fundo os dirigentes pra chamar de seus, enquanto não cobrar o acordo assumido e responder a ele, o povo terá apenas o líder que sua própria falta de compromisso merecer. Rir diante da urna em 2018 não vai ter graça nenhuma quando o futuro vier cobrar a fatura da irresponsabilidade. Vamos escolher, por meio do voto, a esperança em vez do medo, a unidade em vez do conflito e da discórdia.

Em outubro, teremos mais uma vez a oportunidade de começar a construir um novo Brasil, de erguer uma nação forte e justa, que combata dia e noite a corrupção, esse mal que acaba com a a dignidade de famílias, retira o respeito aos nossos idosos e coloca em xeque o futuro de nossas crianças. Enfim, vamos pôr fim a dogmas desgastados, que por muito tempo têm enfraquecido nosso Brasil.

Walter Ciglioni é Jornalista, em 2014 foi Candidato à Governador do Estado de São Paulo, é Vice Presidente da Tv Aberta de São Paulo, é Presidente do Minha Escola É o Canal, é Pré Candidato a Deputado Estadual em São Paulo PHS SP, foi Vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa; é Coordenador de Comunicação da Comissão de Segurança Publica da OAB SP; é Presidente da Associação Nacional Press Club do Brasil – Filiada ao National Press Club de WC DC; é Vice presidente da Câmara de Industria Comércio e Turismo Brasil México; Membro da Comissão de Relações Corporativas da OAB SP triênio de 2004 à 2011 e Diretor Vice Presidente do Instituto Cidadão deste de 2001.

Sobre André Luiz Badaró

Diretor Executivo e Jornalista Responsável