Polícia conclui caso da chacina na Grande SP e indicia 6 PMs e 1 GCM

Eles estão presos por crimes em Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba. Polícia diz que agentes mataram 17 em 13 de agosto, e não mais 19.

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A Polícia Civil concluiu neste mês o inquérito sobre o caso da chacina ocorrida em agosto na Grande São Paulo, indiciando seis policias militares e um guarda-civil por envolvimento nos assassinatos. As informações foram confirmadas nesta quinta-feira (17) ao G1 pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Segundo a pasta, os sete agentes responderão diretamente pelos assassinatos de 23 pessoas e pelas tentativas de homicídios de outros sete sobreviventes. As vítimas foram executadas e feridas a tiros em Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba nos dias 8 e 13 de agosto.

O motivo que levou PMs e GCMs a cometerem a chacina seria vingar as mortes de um policial militar no dia 7 de agosto e de um guarda-civil no dia 12 de agosto (leia mais abaixo). Algumas das vítimas tinham passagens pela polícia, mas não há confirmação de que elas teriam participado dos assassinatos do policial e do GCM.

De acordo com a secretaria, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso, ainda solicitou à Justiça a prisão preventiva dos sete indiciados que já estavam detidos temporariamente. Os nomes deles não foram divulgados porque o caso está sob segredo de Justiça, segundo a secretaria.

Seis PMs continuam detidos no presídio Romão Gomes, segundo a secretaria. Não há confirmação se o GCM permanece preso. A pasta ainda informou que outro policial militar, que também não teve o nome divulgado, está preso temporariamente, mas por suspeita de ameaçar testemunhas da chacina.

Até a publicação desta reportagem não havia confirmação se o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Justiça (TJ) aceitaram os pedidos de prisão feitos pela Polícia Civil.

Caberá à Promotoria denunciar, ou não, os indiciados à Justiça. Se os investigados forem denunciados, eles passam a ser acusados de assassinato. Se a Justiça aceitar denúncia, os acusados passariam a ser réus no processo.

Uma força-tarefa chegou a ser criada pelo governo de São Paulo para apurar inicialmente 19 assassinatos ocorridos em 13 3 de agosto em Osasco e Barueri. Câmeras de segurança gravaram homens mascarados e armados executando pessoas num bar.

Mas, segundo a SSP, o DHPP descartou duas dessas mortes que aconteceram em Osasco. No entendimento do departamento, elas não têm relação com o envolvimento de agentes nas execuções para vingar os homicídios de um policial e um guarda, dias antes.

Posteriormente, durante as investigações, o DHPP descobriu que seis policiais militares e um guarda-civil também estavam envolvidos em seis assassinatos ocorridos no dia 8 de agosto em Itapevi, Carapicuíba e também Osasco(veja abaixo). Os nomes atualizados das vítimas não foram informados.

CHACINA NA GRANDE SP
8 de agosto de 2015:

6 mortos e 1 ferido

Itapevi (3 mortos)
Avenida Pedro Paulino: 3 mortos

Carapicuíba (1 morto)
Rua Alvorada: 1 morto

Osasco (2 mortos e 1 ferido)
Avenida Sport Club Corinthians: 1 morto
Rua Jacinto José de Souza: 1 morto e 1 ferido

13 de agosto:
17 mortos e 6 feridos

Barueri (3)
Rua Irene: 2 mortos
Rua Carlos Lacerda: 1 morto

Osasco (14 mortos e 6 feridos)
Rua Antonio Benedito Ferreira: 8 mortos e 2 feridos
Rua Professor Sud Menucci: 1 morto
Rua Astor Palamin: 2 mortos
Rua Moacir Sales D´Avila: 1 morto e 2 feridos
Rua Suzano: 1 morto e 2 feridos
Rua Vitantonio D´Abril: 1 morto

DESCARTADO
Essas duas mortes abaixo chegaram a ser incluídas inicialmente na investigação do DHPP como possíveis vítimas da chacina, mas foram descartadas, de acordo com a SSP. Segundo a pasta, a investigação descartou que elas tenham relação com o envolvimento de PMs e GCMs para vingar a morte de agentes. Apesar disso, as apurações sobre os casos abaixo prosseguem para identificar os autores dos crimes.

Osasco
Avenida Eurico da Cruz: 1 morto
Rua Cuiabá: 1 morto

Grupos de extermínio
De acordo com policiais envolvidos na investigação, o DHPP concluiu que os sete agentes se organizaram em diversos grupos de extermínio. Armados e usando toucas e capuzes, eles saíram nos dias 8 e 13 de agosto em carros e motos descaracterizados atirando em pessoas nessas quatro cidades. Ao menos 12 homens teriam participado da chacina na Grande São Paulo, de acordo com a investigação, feita por representantes das polícias Civil e Militar.

Eles queriam vingar as mortes de um policial militar e de um guarda civil, ocorridas dias antes. O cabo Oliveira foi morto a tiros, no dia 7 de agosto, em Osasco, por dois criminosos ao reagir a assalto a um posto de combustíveis. Ele era da Força-Tática do 42º Batalhão da PM (BPM), responsável pela segurança na região, mas estava sem farda.

A dupla usou a própria arma do policial para matá-lo e fugiu. O DHPP já identificou os suspeitos, que são procurados pela Justiça.

O guarda-civil Jefferson Silva foi baleado e assassinado em 12 de agosto, em Barueri, por três assaltantes que tentaram roubá-lo. Ele também estaria à paisana. Os criminosos fugiram. Na noite seguinte ao assassinato do guarda, começaram as ondas de execuções em Osasco, Barueri, Carapicuíba e Itapevi.

Fonte: G1

Sobre André Luiz Badaró

Diretor Executivo e Jornalista Responsável